As lajes nervuradas tipo treliça constituem-se em uma evolução natural das lajes maciças de concreto armado, resultante da eliminação da maior parte do concreto abaixo da linha neutra, o que permite o aumento econômico da espessura total das lajes pela criação de vazios com espaçamentos regulares.
As lajes treliçadas foram idealizadas para se ter um alívio do peso próprio da estrutura, aproveitamento mais eficiente do aço, concreto e também para superar algumas deficiências que a laje pré-fabricada convencional apresenta.
A grande diferença das lajes treliçadas em relação às lajes convencionais, é a sua condição estrutural, formando um conjunto monolítico devido à interação armadura e concreto, onde é permitido a distribuição de paredes sobre a laje, sem qualquer vigamento extra.
Durante muito tempo, o uso das lajes moldadas tinham a finalidade apenas como forro e piso. Com o desenvolvimento das lajes treliçadas, maiores vãos começaram a ser vencidos e sobrecargas mais altas passaram a ser suportadas, possibilitando uma perfeita adequação a inúmeras aplicações de maneira racional e competitiva; e consequentemente, projetos mais arrojados e modernos.
Na construção de lajes nervuradas pré-fabricadas, são empregados elementos pré-fabricados na forma de vigotas capazes de suportar seu peso próprio e as cargas de construção, vencendo vãos delimitados pelas linhas de apoio do cimbramento; elementos leves de enchimento colocados entre a vigotas e uma capa superior de concreto, que juntamente com as nervuras principais pré-fabricadas vai formar a seção da lajes resistente à flexão.
Existem em nosso mercado basicamente três tipos de vigotas pré-fabricadas:-
Ø vigotas de concreto armado comum, não protendido, com seção transversal, com a forma aproximada de um T invertido, e com armadura positiva totalmente envolvida pelo concreto;
Ø vigotas de concreto protendido, com seção transversal com a forma aproximada de um T invertido e com armadura de protensão pré-tracionada e totalmente envolvida pelo concreto;
Ø vigotas treliçadas, formadas por uma armadura treliçada de aço e por uma placa de concreto envolvendo as barras de aço que irão compor a armadura da face tracionada da laje.
É importante observar que nas lajes construídas com vigotas pré-fabricadas com concreto armado comum ou concreto protendido, elimina–se a possibilidade de executar nervuras secundárias transversais às vigotas, pela dificuldade de se colocar a armadura atravessando a alma das vigotas. Somente podem ser executadas racionalmente quando se empregam vigotas treliçadas.
As lajes pré-fabricadas podem ter nervuras principais resistentes em uma ou duas direções, sendo por isso classificadas como lajes unidirecionais ou bidirecionais, respectivamente.
As lajes unidirecionais submetidas a cargas concentradas a distribuir, ou com vãos teóricos superiores a 4,00 metros, devem possuir nervuras secundárias. São exigidas duas nervuras no mínimo se esse vão for igual ou superior a 6,00 metros, ou mais, conforme vãos e sobrecargas a vencer.
As lajes bidirecionais possuem nervuras resistentes em duas direções ortogonais entre si. Ela é construída com vigotas pré-fabricadas, dispostas em uma direção, e por nervuras transversais moldadas no local, com espaçamentos que devem respeitar as mesmas exigências feitas para os espaçamentos das nervuras formadas com as vigotas.
As lajes nervuradas bidirecionais são concebidas para distribuir as cargas em duas direções. Pelo fato de distribuírem as cargas em duas direções, apresentam menores esforços em cada direção e podem portanto, ser projetadas com alturas menores.
As lajes bidirecionais são também mais rígidas do que as lajes unidirecionais e por isto, apresentam menores deformações.
Para que uma laje possua um funcionamento bidirecional é necessário que, além de possuir os apoios em todas as bordas, e que a relação entre os lados seja próximo a um, o que equivale a laje quadrada. Para valores desta relação entre um e dois, o comportamento bidimensional começa a diminuir com uma direção prevalecendo sobre a outra.
Em lajes retangulares, apoiadas em todo o contorno, onde a relação entre o maior e o menor lado seja superior a dois, prevalece o comportamento na direção do menor vão. Neste caso, salvo em situações especiais de projeto, não há, a princípio, como considerar a laje apoiada em duas direções.
Embora seja vantajosa a adoção de sistemas estruturais com lajes armadas em duas direções, deve se tomar cuidado com as situações em que as lajes se apoiam em vigas de pequena altura, isto é, com grande flexibilidade.
Pelo fato de serem estruturas hiperestáticas, as lajes armadas em duas direções são suscetíveis à deformabilidade dos apoios. O mesmo ocorre com lajes armadas em uma direção, mas com continuidade. Normalmente, sobre os apoios de lajes contínuas, encontram–se momentos negativos, que requerem uma armadura superior de tração. Nas lajes armadas em duas direções ou uma direção com continuidade, a deformabilidade dos apoios pode fazer com que diminuam os momentos negativos, ou até se invertam passando a positivos.
Departamento Técnico
Maxi Lajes |