No cálculo das armaduras de lajes que devem ter
garantido o seu funcionamento tanto de placa como
de chapa, há duas importantes considerações a fazer:
1- Nas lajes consideradas como placas, calculadas
em regime elástico, pode-se admitir que os momentos
negativos sofram uma redistribuição de no máximo 15
em relação aos valores teoricamente calculados, sem
que haja risco de ocorrer a formação de charneiras
plásticas que comprometem o comportamento de chapa;
2-As lajes que fazem parte do sistema estrutural que
garante a estabilidade global do conjunto não podem ser
calculadas pelo método das charneiras plásticas pois,
caso contrário, as flechas que poderão aparecer em virtude
do comportamento de placa poderão invalidar o
comportamento de chapa, com o comprometimento da
estabilidade global da construção.
Na consideração das lajes como chapas, a elas
é atribuída uma importante responsabilidade a respeito
da integridade da estrutura tridimensional como um todo.
Frequentemente o risco de colapso por instabilidade
global dos edifícios altos fica sensivelmente diminuído
se as lajes tiverem efetivamente a capacidade de
funcionamento como chapa para sustentar horizontalmente
os pilares contraventados. Para garantir o comportamento
de chapa, é importante um detalhamento adequado
das armaduras das lajes, particularmente de suas ancoragens,
recomendando-se que elas sejam feitas.
Chama-se a atenção para o fato de que a ancoragem de
telas soldadas, exige que a armadura da face inferior
das lajes seja montada antes do fechamento dos estribos
das vigas, o que nem sempre é possível com os
procedimentos construtivos usualmente empregados.
Quando essa colocação prévia das telas da armadura das
lajes não é possível, para que o comportamento de chapa
fique garantido, exige-se a presença de ganchos na
extremidade dos fios, particularmente se a tela for fabricada
com fios trefilados, tenham eles ou não alguma marca de
indentação posterior, as quais dificilmente lhes conferem a
qualidade de alta aderência.
Uma solução alternativa é o emprego de barras de aço
suplementares, com seção transversal total igual à da
armadura que no apoio deveria ter ancoragem eficiente.
Estas barras suplementares devem ter sua ancoragem
garantida, tanto na alma da viga quanto na própria laje.
A colocação dos ganchos fora da posição da alma da
viga, no caso das ancoragens sobre apoios intermediários,
visa a permitir uma concretagem satisfatória da própria viga.
Como mostrado nas figuras anteriores, não existe
qualquer dificuldade em se garantir a ancoragem eficiente
das armaduras das lajes quando feitas com barras de aço
isolados. Os problemas podem surgir quando se
empregam certas armaduras pré-fabricadas, que podem
requerer alguns cuidados especiais, os quais todavia podem
ser facilmente atendidos. Um outro tipo de armadura
pré-fabricada, que também é de fácil montagem e que permite
uma ancoragem eficiente em suas extremidades, é constituída
pelas armaduras em treliça.
Pelo fato das armaduras em treliça não possuírem barras
transversais, como no caso de telas soldadas, suas extremidades
podem ser facilmente encaixadas dentro das armadura das vigas
de suporte das lajes, obtendo-se assim condições eficientes de
ancoragem.
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Péricles Brasiliense Fusco
Professor Titular
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
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