Domingo, 05 de Setembro de 2010.
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As Armaduras das Lajes
 

No cálculo das armaduras de lajes que devem ter

garantido o seu funcionamento tanto de placa como

de chapa,  há duas importantes considerações a fazer:

1- Nas lajes consideradas como placas, calculadas

em regime elástico, pode-se admitir que os momentos

negativos sofram uma redistribuição de no máximo 15

em relação aos valores teoricamente calculados, sem

que haja risco de ocorrer a formação de charneiras

plásticas que comprometem o comportamento de chapa;


2-As lajes que fazem parte do sistema estrutural que

garante a estabilidade global do conjunto não podem ser

calculadas pelo método das charneiras plásticas pois,

caso contrário, as flechas que poderão aparecer em virtude

do comportamento de placa poderão invalidar o

comportamento de chapa, com o comprometimento da

estabilidade global da construção.

Na consideração das lajes como chapas, a elas

é atribuída uma importante responsabilidade a respeito

da integridade da estrutura tridimensional como um todo.

Frequentemente o risco de colapso por instabilidade

global dos edifícios altos fica sensivelmente diminuído

se as lajes tiverem efetivamente a capacidade de

funcionamento como chapa para sustentar horizontalmente

os pilares contraventados. Para garantir o comportamento

de chapa, é importante um detalhamento adequado

das armaduras das lajes, particularmente de suas ancoragens,

recomendando-se que elas sejam feitas.

Chama-se a atenção para o fato de que a ancoragem de

telas soldadas, exige que a armadura da face inferior

das lajes seja montada antes do fechamento dos estribos

das vigas, o que nem sempre é possível com os

procedimentos construtivos usualmente empregados.

Quando essa colocação prévia das telas da armadura das

lajes não é possível, para que o comportamento de chapa

fique garantido, exige-se a presença de ganchos na

extremidade dos fios, particularmente se a tela for fabricada

com fios trefilados, tenham eles ou não alguma marca de

indentação posterior, as quais dificilmente lhes conferem a

qualidade de alta aderência.

Uma solução alternativa é o emprego de barras de aço

suplementares, com seção transversal total igual à da

armadura que no apoio deveria ter ancoragem eficiente.

Estas barras suplementares devem ter sua ancoragem

garantida, tanto na alma da viga quanto na própria laje.

A colocação dos ganchos fora da posição da alma da

viga, no caso das ancoragens sobre apoios intermediários,

visa a permitir uma concretagem satisfatória da própria viga.

Como mostrado nas figuras anteriores, não existe

qualquer dificuldade em se garantir a ancoragem eficiente

das armaduras das lajes quando feitas com barras de aço

isolados. Os problemas podem surgir quando se

empregam certas armaduras pré-fabricadas, que podem

requerer alguns cuidados especiais, os quais todavia podem

ser facilmente atendidos. Um outro tipo de armadura

pré-fabricada, que também é de fácil montagem e que permite

uma ancoragem eficiente em suas extremidades, é constituída

pelas armaduras em treliça.

Pelo fato das armaduras em treliça não possuírem barras

transversais, como no caso de telas soldadas, suas extremidades

podem ser facilmente encaixadas dentro das armadura das vigas

de suporte das lajes, obtendo-se assim condições eficientes de

ancoragem. 

Péricles Brasiliense Fusco

Professor Titular

Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

 

 

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