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Lajes pré-moldadas são elementos estruturais planos. Os quais, em sua essência na sua fabricação e aplicação, exigem cautela, responsabilidade e sobretudo elevados conhecimentos de engenharia estrutural, pois implicam a segurança de vidas humanas.
O fator econômico deve existir, desde que haja coerência entre o custo e a estabilidade da obra. Porém, jamais intervir na segurança das estruturas, as quais devem ser estáveis em função das cargas e dos esforços a que estão sujeitas.
O controle de qualidade, além do conhecimento técnico, também é outro fator de grande importância. Uma vez que está sujeito a uma série de exigências de normas, as quais estabelecem os critérios de segurança e estabilidade.
Entre os critérios do controle de qualidade, citamos em primeiro plano a seção de ferros necessária às vigotas. A fim de que possam ser absorvidos todos os seus esforços.
Posteriormente, o controle rigoroso da tecnologia do concreto, que deveria ser racionalmente dosado em laboratórios tradicionais e especializados, que estabelecerão sua resistência à compressão, que deverá ser controlada periodicamente através de rompimento de corpos de prova.
Os ensaios de tração, alongamento e dobramento do aço também, deverão, com constância, serem levados em consideração.
O tempo de pega do cimento e sua composição ideal também são outros fatores que não podem e não devem ser esquecidos.
Em tratando-se de vidas humanas, o que não pode acontecer é a fabricação aleatória, sem obedecer às especificações técnicas e sem a presença em fábrica do engenheiro responsável da empresa.
É comum ouvir-se as expressões "laje de piso" e "laje de forro". Ora, isto não existe. As lajes não são caracterizadas por estes parâmetros de linguagem. Quando isso ocorre, já se tem a nítida certeza de que não existe um responsável técnico que oriente o consumidor.
As lajes caracterizam-se pelo tipo: treliças, convencionais e pretendidas, atreladas à capacidade de sobrecargas a que estão sujeitas quando de sua aplicação.
Não se pode efetivamente se fornecer a chamada "laje de piso", e ela ser utilizada para o tráfego de veículos, sem saber a sobrecarga que resiste.
Observa-se que em 90% das solicitações de fornecimento de laje, quando o interessado é o proprietário ou o comprador de uma firma, o fator de qualidade e de responsabilidade sofre um declínio. Pois o preço sobrepuja as normas, como também a própria segurança da obra.
Outro fator característico é a observância da seção de ferros das vigotas de fabricas distintas. Para um mesmo vão, uma mesma carga, seções de aço altamente divergentes.
Os engenheiros idôneos e responsáveis adotam critérios corretos de cálculo, obedecendo às características do coeficiente de segurança. Enquanto outros adotam uma redução nos coeficientes, quando não utilizam tabelas aleatórias sem o respectivo memorial de cálculo, comprometendo até mesmo as características de segurança.
Os consumidores e os profissionais de engenharia não podem e não devem limitar-se única e exclusivamente à compra da laje em si, sem observar as suas características técnicas. Bem como, verificar a idoneidade técnica dos profissionais responsáveis pela empresa, que deverão ter relevantes conhecimentos da ciência das estruturas.
Deverão também exigir dos fabricantes um catálogo técnico das especificações das lajes, quer sejam treliças ou convencionais. Catálogo este contendo as limitações de cargas, como também os vãos compatíveis com as cargas utilizadas; contraflechas, altura da capa de compressão e ainda a resistência específica do concreto a ser aplicado- que no mínimo deverá ser de 20Mpa, como também o período de desforma.
A malha superior de distribuição também deverá ser especificada. Sempre em posição superior à tubulação elétrica.
A ART também deverá ser exigida, e nela observado o nome do profissional que a emite. Deve ser paga pelo fabricante, pois é dele a responsabilidade. É uma incoerência o consumidor pagar pela responsabilidade do fabricante.
E na ART, além do termo Fornecimento de Laje, deverão ser exigidas, para própria segurança do consumidor, as características técnicas das lajes, treliçada ou convencional. Além de constar as sobrecargas que as mesmas estarão sujeitas, bem como a resistência em Mpa do concreto utilizado em sua fabricação. Uma segurança a mais para quem adquire.
O exímio Conselho de Engenharia (Crea) não tem medido esforços no sentido de manter uma fiscalização coerente e rigorosa no fornecimento das lajes através de seus fabricantes, exigindo dos mesmo as devidas ARTs. São elas que fornecem um amparo técnico e legal ao consumidor.
O ideal seria que na própria ART do fornecimento de laje constasse a assinatura do engenheiro responsável pela edificação, em vez do proprietário da obra, concomitantemente com o engenheiro responsável pela fabricação.
Adotada esta atitude, os termos de responsabilidade se solidificariam e os consumidores teriam a mais ampla segurança na aquisição das lajes pré-moldadas. Pois, em essência, o responsável técnico da obra efetua sua montagem e, posteriormente, sua concretagem. Torna-se solidário com o fornecedor na utilização da laje na edificação, razão pela qual deve também, antes de utiliza-la, conferir e analisar as suas qualidades técnicas.
É nosso objetivo colaborar com o aprimoramento da técnica, observando o parâmetro exigido por normas. Os quais caracterizam, quando observados e aplicados, uma qualidade digna de uma profissional idôneo e responsável, que eleva o nome, a reputação e a dignidade da empresa da qual faz parte.
Carlos Filizola Filho é Engenheiro Civil e Professor. |